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Em 2018 livre-se da falta de Capital de Giro.

A falta de capital de giro é um problema de diversos empresários. Recentemente eu recebi uma ligação que se encaixa perfeitamente no tema capital de giro das empresas. Por isso vou dividir com vocês a análise que fiz sobre a ligação, conectando com o tema.

A ligação do empresário

Esta semana recebi um telefonema de um empresário do setor alimentício.

Chamaremos ele de José.

A preocupação do José é muito parecida com a de muitos outros empresários com quem tenho contato.

Ele tem um problema de capital de giro.

Sua empresa é lucrativa, mas, segundo ele, seu maior problema é a diferença entra o prazo de pagamento a fornecedores e o de recebimento de clientes.

Para agravar seu problema, os juros que os bancos cobram para suprir sua necessidade de dinheiro durante este período é muito alto.

Ele precisa comprar insumos, fabricar seu produto, estocar, distribuir e vender.

Seu fornecedor cobra pelos insumos em até 30 dias a partir da data da compra.

Seu cliente quer pagar em até 30 ou 60 dias contados a partir da data da venda.

Entre o desembolso e o recebimento, existe uma janela de 60 a 90 dias.

Sentiu o drama?

Receitas e despesas

Quando o contador soma as receitas e subtrai as despesas, sobra dinheiro. Mas, se os números não mentem, cadê o dinheiro?

“Tenho um problema de capital de giro!” Ele exclama. Será que preciso pegar um empréstimo no banco? Pergunta-se. Mas os juros são tão altos, não quero me endividar.

Ele então liga para um consultor e compartilha seu drama diário de trabalhar, trabalhar, trabalhar e nunca ver a cor do dinheiro.

O consultor, por sua vez, tem a “resposta” (sic).

É simples! (sic de novo).

A “solução simples”

O José precisa antecipar seus recebíveis e postergar suas contas a pagar. Em bom português, segundo o “consultor”, o empresário precisa cobrar seus clientes a vista e pagar seus fornecedores a prazo.

Mas José não se satisfaz com este conselho e sai da conversa pensando que ele deve mesmo ser um péssimo administrador.

Ele sabe que não pode cobrar seus clientes a vista pois será engolido pela concorrência que dá bons prazos.

Por outro lado, seus fornecedores não são muitos e são maiores em tamanho do que ele. Ele não têm muito poder de barganha para pedir um prazo melhor.

Ele se sente preso e vê no banco a única solução para os seus problemas.

Infelizmente os altos juros irão corroer boa parte dos seus lucros. Mas ele não têm opção, ele precisa pagar os salários dos seus funcionários, além de aluguel, contas de água, luz e telefone.

Você se identificou com o José?

Aceitar é a solução

Por mais que ele pense, o José não é muito diferente do que a maioria dos médios e pequenos empresários brasileiros.

Mas tenho boas notícias.

Nem você e nem o José têm um problema de capital de giro.

Veja bem, se o José não pode cobrar antes e pagar depois, então não há solução para seu capital de giro.

Se não há solução, então não há problema a ser resolvido.

Melhor então aceitar esta realidade como parte inerente do seu negócio e focar em administrar melhor suas finanças.

Muitas empresas possuem o mesmo dilema. Pagam antes de receber. Apenas alguns afortunados possuem o privilégio de receber antes de pagar.

E se a maioria das empresas funciona assim, então possuir capital de giro negativo é um fato da realidade.

O que difere de empresa para empresa é como cada uma gerencia suas finanças.

Para melhor administrar esta realidade devemos seguir alguns princípios básicos. (José, espero que você esteja lendo isto.)

Princípio 1: Não misturar contas pessoais com as contas da empresa.

Todo empresário está cansado de ouvir isto, mas muitos ainda praticam a confusão entre contas pessoais e contas da empresa.

A importância de seguir este princípio é simples: Não podemos administrar aquilo que não conhecemos.

Se você, José, não sabe quais são os reais custos da sua empresa, como sabe quanto dinheiro precisa para gerenciá-lo?

Que pena pensar que você pegou um empréstimo de capital de giro do seu banco para pagar o cartão de crédito da família, não é?

Elimine esta prática extremamente nociva e já terá dado o primeiro passo para uma administração financeira saudável.

Defina seu salário, pague-se em dia e administre as contas da sua família de forma isolada.

Princípio 2: Contabilize os juros dos empréstimos de capital de giro como um custo.

Da mesma forma que aluguel, salários e insumos são custos, assim também é o custo do dinheiro. Os juros, nada mais são do que o custo do dinheiro.

Se o José precisa pagar 3,5% ao mês ao banco para cobrir uma falta de capital de giro de R$ 100 mil, então o custo daquele dinheiro é de R$ 3.500 mensais.

Para reduzir este custo é preciso reduzir a quantidade emprestada e procurar um fornecedor de dinheiro mais barato, ou seja, um banco com taxa de juros mais baixas.

Ao seguir o Princípio 1, sua necessidade para a falta de capital de giro deve naturalmente diminuir e portanto o seu custo de capital também.

Princípio 3: Separe Despesas Operacionais das Despesas Não Operacionais.

Os dois primeiros princípios estão sendo seguidos, seus relatórios gerenciais estão livres das contas pessoais, mais enxutos e realistas.

Você já passou a considerar os juros como um custo inerente ao seu negócio e passou a procurar por opções mais atrativas.

Para finalizar, separe o que são despesas operacionais do que são despesas não operacionais.

Juros, despesas e receitas financeiras são não operacionais.

Estas contas nada tem a ver com o preço do seu produto, custos dos seus insumos e despesas fixas como salários, alugueis etc.

Ao fazer esta separação, você terá uma maior visibilidade sobre a real lucratividade do seu negócio. Assim como quanto do seu lucro está sendo corroído pelo custo do dinheiro.

Agora que conhecemos nosso negócio, podemos administrá-lo.

Não existe mágica, mas também não há muito segredo para a falta de capital de giro.

Estes princípios são baseados em boas práticas de gestão aceitas universalmente.

Siga-os e sua vida de administrador se tornará muito mais fácil e proveitosa.

Em pouco tempo, o fruto do seu trabalho vai começar a aparecer.

Você verá, José.

Desejo um bom fim ano a todos e um 2018 com menos preocupações e mais realizações.

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