Nenhum livro será um dia capaz de captar toda a complexidade que se passa em uma organização e a sequência de eventos que a levaram a um suposto sucesso.

Qual é o papel (e responsabilidade) do líder na saúde mental dos seus funcionários?

Nenhum livro será um dia capaz de captar toda a complexidade que se passa em uma organização e a sequência de eventos que a levaram a um suposto sucesso.

A saúde mental no trabalho

Esta semana o Matheus de Souza publicou um artigo muito bacana sobre a saúde mental no trabalho.

Em resposta a um comentário ainda adicionou que “as redes sociais elevaram o ‘a grama do vizinho é sempre mais verde’ para outro nível”.

Levanto a bandeira de que um líder estressado e ansioso terá uma equipe estressada e ansiosa.

É evidente que a ansiedade se encontra em estágios epidêmicos avançados. Atribuo isto em grande parte as falsas expectativas depositadas sobre os líderes (até por eles mesmos).

As redes sociais banalizaram e reduziram o líder a um punhado de frases prontas.

Homens e mulheres que realizaram grandes feitos, ainda que com todas as suas qualidades e defeitos inerentes ao ser humano, foram elevados ao status de lenda. Nos tornando então reles mortais indignos das mesmas realizações.

Não vemos que é justamente o seu “humanismo” que os torna grande?

Não vemos que é justo pelo fato de serem tão iguais a nós que nos inspiramos tanto neles?

Quando “endeusamos” um Nelson Mandela, esquecemos que ele era falho. E que é exatamente isto o que faz fantástico.

Perdi as contas de quantas empresas trabalhei e consultei, mas sei exatamente quantas foram iguais aos grandes casos empresariais que estudei – zero.

Nenhum livro será um dia capaz de captar toda a complexidade que se passa em uma organização. E nem a sequência de eventos que a levaram a um suposto sucesso.

O que dizer então de frases soltas no Instagram? dizendo o que é o que não é um bom líder?

Somente agregam na criação de falsas expectativas e ansiedade.

Já vi também muito gerente de primeira viagem que quer ser o amigão de todo mundo e se dá mal (me incluo nesta lista).

O que, sim, pude observar, é que as pessoas querem e precisam de um senso de clareza. Um senso de propósito (não precisa ser divino) e um senso de progresso.

Peço perdão aos românticos pelo pragmatismo, mas o trabalho é apenas um aspecto da nossa vida.

Os grandes líderes que tive o prazer de ver em ação possuem um grau de impessoalidade que deveria ser espelhado por todos (líderes e liderados).

Estes conseguem separar a pessoa da tarefa e do objetivo.

Pessoas que não estão prontas para liderar não conseguem. Ficam à deriva e se sentem atacadas quando um problema é levantado.

A impessoalidade do líder o faz conseguir ver o funcionamento da empresa de longe, pois não está emocionalmente vinculado a ela.

É este, ao meu ver, a maior contribuição que um ser humano, com suas qualidades e defeitos, encarregado de liderar outros seres humanos, pode dar a saúde mental no ambiente de trabalho. A realização de que, sim, queremos atingir grandes feitos. Mas que ao final do dia, este é apenas um trabalho e amanhã será um novo dia.

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